Gaúcho autêntico sim, narcisista não

Resgato e reproduzo aqui no meu blog um texto que postei no Blog Papo Bumerangue em Maio de 2009. Preciso ressaltar que escrevi o referido texto por incentivo e por insistência do meu colega e amigo do jornal O Farroupilha na época, jornalista Roberto Ferrari. Foi o primeiro texto que postei em um blog.

Se fosse escrever hoje, este artigo seria um pouco diferente, visto que a escrita se transforma e se aprimora com o tempo. Pelo menos isto é que se deve esperar de quem escreve ou se aventura nas águas e nos caminhos das palavras. Assim, decidi postá-lo de forma fiel ao que foi publicado no blog Papo Bumerangue, sem alterar ou corrigir nada. Então segue o texto com o título de “Gaúcho autêntico sim, narcisista não”.

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Gaúcho autêntico sim, narcisista não



No texto A hipérbole e Narciso, do jornalista Renato Dalto, que foi publicado no jornal do MARGS, em março de 2004 o autor faz uma análise da Estátua do Laçador onde ele destaca, entre outros, o fato do laçador representado pela estátua estar de esporas, com o laço na mão e sem o seu cavalo. Segundo a argumentação do jornalista, o uso de esporas só deve existir quando o cavaleiro estiver montado no cavalo, e no caso, quando o laçador estiver laçando a cavalo e não a pé. Isso para ele configura um erro grotesco na obra de arte.

Sendo assim o autor considera que uma estátua deve retratar a história fiel aos fatos. Já segundo a opinião do jornalista Roberto Ferrari no blog “Papo Bumerangue”, este tipo de arte deve “apresentar uma mensagem romantizada de um acontecimento”.

Com certeza, o objetivo da Estátua do Laçador, não é representar as lides campeiras do gaúcho, com toda sua indumentária. Mas ilustrar o sentimento e o orgulho do gaúcho. Sentimento de um povo que conquistou esta terra através das batalhas e do sangue derramado por seus heróis anônimos. A estátua projeta no povo do presente o sentimento de perseverança, a coragem, a determinação e os valores dos heróis do passado. Fazendo com que, nós hoje, tenhamos orgulho de viver nesta “terra que tem dono”.

Portanto não se deve se apegar a ideia de que a estátua deve retratar o fato de um modo histórico e fidedigno, mas sim, demonstrar o sentimento que orgulha um povo de seu passado e o impulsiona para um presente com a motivação para transpor os obstáculos do nosso tempo e ultrapassar os limites desta “terra globalizada”.

Em outro ponto do texto o autor considera que a estátua demonstra um olhar altivo olhando para o horizonte comparando-a com o Mito de Narciso e acha esta postura um exagero, chamando-o assim de hipérbole. Mas para mim, o que a estátua revela com seu olhar altivo não é arrogância, mas demonstra o perfil de um povo determinado e que está preparado para os desafios do dia-a-dia que a vida nos impõe a todo instante. Narciso tinha orgulho de si mesmo. O Laçador demonstra orgulho de um povo, de suas conquistas e de suas origens. Valores estes tão essenciais para a preservação da cultura deste povo. Os gaúchos têm impregnados em seu ser estes valores de forma bem definida. O Laçador não configura um Narciso Cinzento, mas sim um gaúcho na sua essência.


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