Qual é mesmo a pergunta?





Sabemos que existe certa rejeição por parte de muitas pessoas quando o assunto é a Bíblia e assuntos relacionados a ela. Até mesmo alguns cristãos “nominais”, que apenas se denominam cristãos, sentem-se desconfortáveis com este tipo de assunto. Para tentar entender um pouquinho, lembrei-me de uma história que ouvi ou li em algum lugar (não lembro exatamente onde) que dizia:
Em uma estrada havia uma grande pedra onde alguém escreveu “Jesus é a resposta!” e que alguém, irreverentemente, filosofou: “E qual é a pergunta?”. Para algumas pessoas essa história é motivo de piada que serve apenas para entreter amigos. Já para os cristãos ela é considerada uma espécie de afronta ou desrespeito com aqueles que creem na Bíblia. Para mim, esta história revela algo valioso e que exprime com clareza um dos grandes dilemas que as pessoas passam ao tentar falar de Jesus para os que não entendem o Cristianismo da mesma forma que a sua. E, também por quem é abordado por essas pessoas, mas não tem nenhum interesse no assunto.

Isto se explica porque, de maneira geral, as pessoas vivem suas vidas de forma indiferente sem se preocupar com o lado espiritual acreditando que podem resolver seus problemas sem depender da fé. Acreditam na sorte ou na sua “experiência de vida” e, assim, concluem que não precisam perder tempo com “coisas de igrejas”. Acreditam no potencial do seu trabalho ou no seu currículo. Enfim, estão contentes com sua vida do jeito que está. Para essas pessoas, um relacionamento com Deus não faz parte de seus planos. Elas pensam que igrejas são para algumas pessoas, talvez até mais inferiores, mas não para elas. Para piorar a situação, há padres pedófilos e pastores enriquecendo a custa das ofertas dos fiéis. Como a maioria faz, é mais fácil generalizar do que individualizar. Por conta disso, não há necessidade de buscar a Deus, não existe dentro dessas pessoas a pergunta para que Jesus seja a resposta. Ou seja, o que importa a resposta se não tenho o anseio do questionamento dentro de mim, elas argumentam.

Infelizmente as pessoas que pensam desta forma também têm seus problemas, suas lutas, enfim, enfrentam situações que gostariam de mudar em suas vidas, só que não acreditam que a solução esteja em Deus. É um direito de cada um crer no que lhe faz sentido. Isto se chama Livre Arbítrio. Como o escritor Sérgio Almeida escreveu certa vez na sua coluna “Na contramão do Mundo”, no jornal O Farroupilha, “A verdade é que todos querem ter uma vida de felicidade e sucesso, mas poucos creem que essa vida está em Deus. Ou que Ele seja capaz de transformar uma casa em um lar, uma empresa falida em próspera, uma vida vazia e sem sentido em um viver cheio de alegrias, esperança e paz. Depositam suas expectativas em conselhos de homens”. Ou seja, para muitos é mais fácil acreditar em soluções imediatas e mais palpáveis do que depender da fé. É mais fácil acreditar em soluções mais práticas do que “vans filosofias” que não fazem sentido para este tempo. Depender da fé é para os fracos, pensam.

Na contramão deste pensamento, igrejas católicas e evangélicas, padres e pastores, bem intencionados e comprometidos com as coisas de Deus, tentam pregar as boas novas do Cristo ressurreto, mas poucos dos que ouvem esta pregação conseguem entender o real significado desta mensagem. Os escândalos dos maus intencionados conseguem gritar mais alto que a mensagem do verdadeiro Evangelho. A mídia e a internet estão cheias de exemplos desses abusos da boa fé dos fiéis. Mas, infelizmente, estes mesmos veículos não mostram a história de centenas que pessoas que tiveram suas vidas restauradas através da fé. Drogados que foram restaurados e inseridos na sociedade por terem sidos transformados pela pregação do Evangelho.
Assim, esses são alguns dos motivos que faz com que muitas pessoas encontrem dificuldade em falar da mensagem do Evangelho. E o pior, por esses mesmos motivos, muitas não querem ouvir a respeito da fé dos cristãos.

O Evangelho é uma proposta de mudança de vida, de transformação. E mudança é algo que comumente temos dificuldade em lidar. Esta resistência se deve ao fato de não aceitarmos que temos que mudar. É mais fácil culpar os outros pelos nossos erros do que admitir nossas culpas e responsabilidades. Às vezes é difícil aceitar que precisamos rever nossas atitudes. É a famosa “síndrome de Gabriela”.

É mais confortável culparmos as igrejas e os escândalos que cometem do que acreditarmos que somos pessoas espirituais e que nascemos para termos um relacionamento com Deus. A Bíblia diz que a nossa justiça não pode ser comparada à justiça de Deus. Buscar a Deus e tentar entender Seus propósitos pressupõe que somos falhos e que temos muitas coisas a concertar. Mas isto está fora de cogitação para muitos de nós. Na ideia da auto afirmação, esta atitude “não tem nada a ver”. Admitir a existência do pecado e que ele nos separa de Deus, para muitos, é ridículo. Isto é apenas um pensamento de manipulação de pessoas menos instruídas, não é?

A mensagem do Evangelho é como um espelho que revela o quanto temos que mudar e quanto nossas atitudes nos deixam longe de Deus.  A Bíblia é um livro de confronto. Mas, geralmente, queremos ouvir coisas que aprovem nosso comportamento, afinal, a Bíblia não é um livro de consolo? Às vezes ela é, e, às vezes não é. Ela revela o quanto temos valor para Deus e o quanto somos amados por Ele. Porém, ela confronta e rejeita as intenções mais escuras e sutis do nosso coração. Ela realmente é um livro de contrastes: Nos mostra quão pequenos somos diante da grandeza de Deus e, pela mesquinhez do nosso coração, indignos do Seu amor. Por outro lado, ela nos mostra o quanto este amor é grande e que nós somos seu alvo. Há situações em que podemos achar que somos super, mega santos, “que estamos por cima da carne seca”. Quando isto acontece, a Bíblia nos confronta e nos mostra o quanto somos miseráveis e o quanto carecemos da graça, do perdão e da misericórdia de Deus.


Caro leitor, mesmo que você tenha chegado até esta parte do texto, (acredito que muitos desistiram no meio do caminho), talvez você ainda entenda que não necessita de uma resposta. Você talvez não tenha a pergunta. Você pode pensar que tem todas as respostas. Mas, mesmo assim, Jesus continua sendo a resposta a todo anseio da alma humana, e, isto inclui você. Quer acreditemos nisso ou não. Porém, se um dia você precisar de uma resposta existencial, lembre-se: Jesus é a resposta.

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