Falta de fé ou estado de espírito? Qual a diferença?

Muitas vezes como cristãos agimos de forma estranha. No mínimo, contrária ao nosso discurso. Às vezes nos sentimos bem e com a fé “lá em cima” e, outra vezes, nos sentimos desanimados e “sem vontade de cantar uma canção”. Não conseguimos manter uma estabilidade entre aquilo que cremos e nosso estado de espírito. Não é falta de fé, isto é outra coisa. Mas me refiro ao nosso estado de espírito, que pode nos tornar mais otimistas ou mais entristecidos, propositalmente, optei em não colocar a palavra pessimistas, porque pessimismo configura incredulidade e um cristão que conhece o Deus que serve não pode ser pessimista. Ainda que este estado, em alguns casos, possa ser confundido como incredulidade. Não estou discutindo aqui se é certo ou errado o cristão ter este sentimento. Não é esta a discussão nem o motivo desta reflexão, mas sim, tentarmos entender porque isto acontece e como reagimos a isso.
No primeiro caso, quando estamos bem, vemos a grandiosidade de Deus e o seu agir de forma muito clara. Esta percepção produz em nós um estado de louvor que nos faz bem e nos dá a certeza de que estamos no caminho certo da adoração. Se o dia está claro e o Sol dá o seu brilho, achamos tudo lindo, e tributamos a Deus as condições do clima. O que não deixa de ser verdade. E quando está chovendo, se estamos bem, achamos a chuva maravilhosa e oportuna, e o que em outros dias, seria motivo de reclamação, agora, achamos como fonte de inspiração para louvor e a reconhecemos como dádiva de Deus.
No segundo caso, quando as coisas vão mal ou estamos passando por momentos de lutas e provações, reagimos diferente. Talvez não possamos generalizar, mas a grande maioria das pessoas passam por isso. Quando isto acontece, nos parece que o céu está fechado e a grandiosidade de Deus, o seu poder e as suas maravilhas deixam de ser tão reais aos nossos olhos. Aquela percepção de Deus, das suas promessas e do Seu poder, agora, parece que sai da nossa realidade e se coloca no conceito do abstrato, no qual só podemos crer pelo exercício de muita fé. E fé é tudo que precisamos, não há dúvida. Mas, o que quero dizer é que temos dificuldades de ter a mesma certeza e convicção de quando as coisas estavam indo bem. No mínimo, este estado tira o brilho de nossos olhos, nos tornando mais tensos, ansiosos e preocupados, afetando, inclusive, o nosso humor.
Gostaria de fazer uma análise para tentar entender porque isso acontece comigo e com tantas pessoas que conhecem a Deus e Suas promessas.
Incrível que no dia que comecei a escrever este texto estava me sentindo muito bem, como na primeira situação. As promessas de Deus e Sua beleza estavam muito vivas diante de mim. Estava alegre, como se contemplando a glória de Deus de uma maneira especial e sem muito esforço. E, como não consigo escrever um texto em um só dia, quando continuei a escrever no dia seguinte, algo aconteceu que me jogou no segundo caso. Parece até que Deus permitiu que isto acontece para tornar o texto mais real. Minha fé, minha esperança e minha certeza nas promessas de Deus em nada mudaram. Mas devido as circunstâncias oscilantes, a minha alegria diminuiu. O brilho de hoje já não é o mesmo de ontem.
Assim, refleti muito para entender porque isto acontece conosco. Alguém pode perguntar: Será que Deus muda? Será que Deus oscila em nos abençoar e em deixar de nos abençoar, em nos fazer sentir Sua graça? Será que Deus muda de humor e propósito? Porque isto acontece e porque muitos cristãos passam por isso? Muitos, inclusive, se culpam por acharem que estão com pouca fé. Mas não devemos desanimar, há uma boa notícia para nós.
A conclusão que cheguei, e que na verdade já sabia, mas não conseguia explicar ou definir em meu coração e nem expressar em palavras é que Deus continua sendo o mesmo ontem, hoje e eternamente (He 13:08). A Sua glória não muda e não mudou. As suas promessas não mudam. O Seu amor por nós também não muda. O Seu anseio por relacionamento conosco, por fazer parte da nossa vida e dos nossos projetos, continuam sendo os mesmos.
Mas então o que é que muda? Está é a grande pergunta? Porque vivemos em uma gangorra emocional, que às vezes nosso estado de espírito está lá em cima, às vezes, está lá em baixo?
Se pensarmos um pouquinho que há uma relação entre duas partes, nós e Deus, e que Ele não muda. Então a mudança só pode ocorrer em nós!
Nós podemos crer somente com o coração através da fé. Mas estamos sujeitos a percepção do real, do que acontece no mundo físico, a nossa volta, e que pode ter influência direta na nossa fé, ou no caso, em nosso estado de espírito.
O que muda e aqui não vejo nada pecaminoso ou indigno, é a nossa percepção de Deus. Mesmo que continuemos com nossa fé inabalável, por causa da nossa percepção ou falta dela, nosso espírito se abala com as circunstâncias adversas. Dependendo de cada pessoa, seu histórico, sua personalidade, ela vai agir e sentir no seu espírito de uma determinada forma, respondendo em seu espírito negativa ou positivamente às circunstâncias ao seu redor. Repetindo, não estou falando de incredulidade, mas sim de estado de espírito. Ainda que a linha entre uma coisa e outra seja muito tênue, elas são diferentes. Talvez por isso muitos confundem e incorrem no erro de julgar ou se sentirem culpados por isso.
Acreditem, isto para mim foi uma grande revelação e uma grande libertação. Agora não preciso mais me sentir culpado, mas posso entender o que está acontecendo e posso administrar isso de forma saudável, reagindo positivamente. Entendi que quando estou me sentindo desanimado, preciso “turbinar” minha mente e meu coração com a palavra de Deus, com as coisas de Deus. Me cercar de pessoas que falam das coisas de Deus. Ouvir músicas que falam das promessas de Deus. Me aproximar de quem vê Deus em todas as circunstâncias e que pode me ajudar a ver assim também. O que entra em nossos ouvidos e através de nossos olhos vai, invariavelmente, não influenciar nossa fé, vai, sim, influenciar nosso estado de espírito.

Meu desejo é que se você chegou até aqui na leitura é que consiga entender a diferença entre fé e estado de espírito para poder administrar este sentimento de forma positiva para que seja abençoado e que possa, assim, também abençoar outras pessoas.

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